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31 dezembro 2006

Leia...






Sonho de um Homem Ridículo

Fiódor Dostoièvski





"Um sonho, dizem eles, eis o que ele viu, um pesadelo, uma alucinação...". Eh... eh... tudo isto não é muito grave. Eles são bastante orgulhosos, entretanto! Um sonho? Que é um sonho? E nossa vida não é um sonho? Direi mesmo: que importa, que importa que nunca mais o paraíso volte e que não exista mais (uma vez que o compreendo, digo-vos), apesar de não conseguir que num só dia, em uma só hora tudo fosse reedificado. O essencial é amar o próximo como a si mesmo, eis o que é essencial, eis o que é tudo, sem que haja necessidade de outra coisa: logo sabereis como edificar o paraíso. Entretanto, isto não é senão uma velha verdade, lida e repetida milhares de vezes, mas não cessou de permanecer eficaz. "A consciência da vida é superior à vida; o conhecimento das leis da felicidade superior à felicidade" - eis contra o que importa lutar! E eu lutarei. Que todos o queiram e nesta hora tudo será edificado.

Quanto àquela menina, parti a sua procura... e continuarei a procurá-la, a procurá-la!


10 dezembro 2006

Consumista?!?! SiiiiiMM...





Mas só pra coisas boas... Como por exemplo:


...do grande João Guimarães Rosa,
em edição comemorativa pelos seu aniversário de 50 anos de publicação...


EU QUERO MUUUUUUITO esse livro!... Me dá?!



PS: são só 10.000 exemplares, numerados... Coisa de colecionador!!! ;)

07 dezembro 2006

...mais um!






...ele não falava inglês muito bem porque não havia saído de Chinatown desde que viera de Taiwan, pois não tinha nenhum motivo para fazer isso. Durante todo o tempo que conversei com ele, imaginei que havia água do outro lado da janela, como se estivéssemos dentro de um aquário. Ele me ofereceu uma xícara de chá e eu não estava muito a fim, mas bebi do mesmo jeito, só por educação. Perguntei se ele realmente amava Nova York ou se estava apenas vestindo a camiseta. Ele sorriu, como se estivesse nervoso. Deu pra ver que ele não havia entendido, o que por algum motivo me fez me sentir culpado por falar inglês. Apontei para a sua camiseta "Você. Realmente. Ama. Nova. York?" Ele disse "Nova York?" Eu disse "Sua. Camiseta." Ele olhou para a camiseta. Apontei para o N e disse "Nova", depois para o Y e disse "York". Ele pareceu ficar confuso, ou envergonhado, ou surpreso, ou talvez até mesmo brabo. Eu não sabia dizer o que ele estava sentindo porque não falava a língua de seus sentimentos. "Eu não saber ser Nova York. Em chinês, ny querer dizer 'você'. Eu achar ser 'Eu amo você'."

Foi então que notei o cartaz na parede e a bandeira em cima da porta, e os panos de prato , e a lancheira sobre a mesa da cozinha.

Perguntei "Bem, então por que você ama tanto todo mundo?"


Extremamente alto & Incrivelmente perto
SAFRAN FOER

06 dezembro 2006

Mais uma...





Coisas que preciso compartilhar com vocês...
Ainda do Extremamente Alto e Incrivelmente Perto!


Não é muito estranho como o número de pessoas mortas está crescendo enquanto a Terra continua do mesmo tamanho, de modo que um dia não haverá mais espaço para enterrar ninguém? Ano passado, no meu aniversário de nove anos, a Vó me deu uma assinatura de National Geographic, que ela chama de "a National Geographic". Ela me deu também um paletó branco, porque só uso roupas brancas, e ele vai durar muito tempo porque ficou grande em mim. Ela me deu também a câmera do Vô, o que adorei por dois motivos. Perguntei por que ele não levou a câmera com ele quando a abandonou. "Tavez quisesse deixar pra você", ela disse. "Mas eu tinha trinta anos negativos de idade", falei. "Mesmo assim", ela disse. Enfim, o fascinante é que li em National Geographic que há mais pessoas vivas agora do que todas as que morreram na história da humanidade. Em outras palavras, se todo mundo quisesse interpretar Hamlet ao mesmo tempo, não seria possível, pois não há caveiras suficientes!
____

Pediu ao pai, meu bisavô, seu tataravô, que lhe comprasse um pombo. Emv ez disso, ele comprou uma echarpe de seda. Então ela começou a tratar a echarpe como um pombo. Chegou a se convencer de que a echarpe era capaz de voar mas não voava, porque não queria revelar a ninguém o que realmente era. Ela amava o pai a esse ponto...

____

... queria poder virar de novo uma menina, com a chance de viver minha vida de novo. Sofri muito mais do que precisava. E as alegrias que vivi nem sempre foram alegres. Podia ter vivido de outra maneira. Quando eu tinha a sua idade meu avô me comprou um bracelete de rubi. Era grande demais pra mim e ficava escorregando para cima e para baixo no meu braço. Era quase um colar. Mais tarde ele me contou que havia pedido ao joalheiro para fazer daquele jeito. Era para o tamanho ser um símbolo de seu amor. Mais rubis, mais amor. Mas eu não podia usá-lo com conforto. Não podia usá-lo de maneira alguma. Então aqui está a essência de tudo o que venho tentando dizer. Se fosse dar a você um bracelete, agora, eu tiraria a medida de seu pulso duas vezes...



Inesperado...






...então pulei para o banco da frente e cutuquei o ombro do motorista até que ele me desse atenção. "Qual. É. Sua. Designação", perguntei em voz de Stephen Hawking. "Como é que é?" "Ele quer saber o seu nome", a Vó falou do banco traseiro. Ele me entregou seu cartão.


GERALD THOMPSON
Limusine Sunshine

atendemos os cinco distritos
(212) 5707249


Entreguei-lhe meu cartão e disse "Saudações. Gerald. Eu. Sou. Oskar." Ele me perguntou por que eu estava falando daquele jeito. Respondi "A CPU de Oskar é um processador de rede neural. Um computador aprendiz. Quanto maior o contato com humanos, mais ele aprende". Gerald disso "O", e depois disse "K". Não consegui perceber se ele gostou de mim ou não, portanto falei "Seus óculos escuros são cem dólares". "Cento e setenta e cinco", ele disse. "Você conhece muitos palavrões?" "Conheço alguns". "Não tenho permissão para usar palavrões". "Que droga". "O que é 'droga'?" "É uma coisa ruim". "Você conhece 'cocô'?" "Isso é um palavrão, não é?" "Não se você disser 'cocoruto". "Acho que não". "Lambda meu sacolé, cabeça de cocoruto". Gerald sacudiu a cabeça e rachou um pouquinho o bico, mas não do jeito ruim, ou seja, não às minhas custas. "Não posso nem dizer 'pastel de pêlo'", contei a ele, "a não ser que esteja falando de um pastel de verdade, feito de coelhos. Bacana suas luvas de motorista". "Obrigado". E aí eu pensei numa coisa, portanto falei. "Na verdade, se as limusines fossem extremamente compridas, elas não precisariam de motoristas. Você poderia simplesmente entrar no banco traseiro, caminhar pela limusine e depois descer pelo banco da frente, que ficaria onde você precisava ir. Na ocasião de hoje, portanto, o banco da frente ficaria no cemitério". "E eu estaria assistindo ao jogo neste momento". Dei tapinhas no ombro dele e disse "Quando alguém procura 'hilário' no dicionário, encontra uma foto sua"...




de Jonathan Safran Foer
do livro que todos no mundo deveriam ler
"Extremamente alto e incrivelmente perto"
Pág. 14 e 15

12 novembro 2006

O que tenho feito???





Provas, é claro! Já foi mais uma seleção de mestrado: a da PUC!
Ainda estou esperando os resultados da UFGRS, devem sair essa semana! :(
Fiz o ENADE hj, 19 acertos nas questões de marcar... Mal, muito mal!

Enquanto esse tempo passou, andei lendo pro mestrado, né?!



Viajar era o meio de estar além ou de não estar em parte nenhuma. Hojé é o único meio de experimentar a sensação de estar em algum lugar. Em casa, cercado de todas as informações, de todas as telas, já não estou em parte nenhuma, estou em todos os lugares do mundo ao mesmo tempo, estou na banalidade universal. Essa é a mesma em todos os países. Aterrar numa nova cidade, numa língua estrangeira, é encontrar-me de repente aqui e em nenhum outro lugar. O corpo reencontra seu olhar. Liberto das imagens, ele reencontra a imaginação...



A transparência do mal - Jean Baudrillard

21 outubro 2006

Sobre fogueiras e palavras...





A cultura escrita é inseparável dos gestos violentos que a reprimem. Antes mesmo que fosse reconhecido o direito do autor sobre sua obra, a primeira afirmação de sua identidade esteve ligada à censura e à interdição dos textos tidos como subversivos pelas autoridades religiosas ou políticas. Esta "apropriação penal" dos discursos, segundo a expressão de Michel Foucault, justificou por muito tempo a destruição dos livros e a condenação de seus autores, editores ou leitores. As perseguições são como que o reverso das proteções, privilégios, recompensas ou pensões concedidas pelos poderes eclesiásticos e pelos príncipes. O espetáculo público do castigo inverte a cena da dedicatória. A fogueira em que são lançados os maus livros constitui a figura invertida da biblioteca encarregada de proteger e preservar o patrimônio textual. Dos autos-de-fé da Inquisição às obras queimadas pelos naziz, a pulsão de destruição obcecou por muito tempo os poderes opressores que, destruindo os livros e, com freqüência, seus autores, pensavam erradicar para sempre suas idéias. A força do escrito é de ter tornado tragicamente derrisória esta negra vontade...




A aventura do livro (do leitor ao navegador)
Roger Chartier

21 setembro 2006

Meu presente





Ok! Recuperação lenta...
Estou vagarosamente retornando à todas as divertidas atividades intelectuais!
Heiahiaheiaheiaheuiae!

Sim, claro! Provas e aulas são, simplismente, momentos de aprisionamento da liberdade de aprender... Se eu preciso das notas? Sim!
Mas não posso ainda concordar que as aulas e as provas me sejam mais ou ensinem mais do que as leituras que realizo, do que os exercícios mentais que refaço, insistente, durante meus dias e noites de solitário estudo...

Uau! Que filosofada maluca...
Hihihi... É o Nietzsche: ganhei de um amigo MUITO querido o "Humano, demasiado humano" do Nietzsche! Então já viram... :)


...e quem adivinha ao menos em parte as conseqüências de toda profunda suspeita, os calafrios e angústias do isolamento, a que toda incondicional diferença de olhar condena quem dela sofre, compreenderá também com que freqüência, para me recuperar de mim, como para esquecer-me temporariamente, procurei abrigo em algum lugar - em alguma adoração, alguma inimizade, leviandade, cientificidade ou estupidez; e também por que, onde não encontrei o que precisava, tiva que obtê-lo à força de artifício, de falsificá-lo e criá-lo poeticamente para mim ( - que outra coisa fizeram sempre os poetas? para que serve toda a arte que há no mundo?).

25 julho 2006

Chegou, chegou...







Junto com as aulas
, mas ainda em tempo!!

Chegou a minha coleção do Senhor dos Anéis...

Desesperada pra começar a ler...........................................

16 julho 2006

Já acabou?!?




Pois eh... Terminei a leitura sobre as aventuras de Bilbo Baggins, em "O Hobbit"!! Muuuuito divertido, muito bom!
- Não! - disse Thorin. - Há mais coisas boas em você do que você sabe, filho do gentil Oeste. Alguma coragem e alguma sabedoria, misturadas na medida certa. Se mais de nós dessem mais valor a comida, bebida e música do que a tesouros, o mundo seria mais alegre. Mas, triste ou alegre, agora devo partir. Adeus!
_____

Uma das cenas mais legais do livro é o encontro de Bilbo com Gollum (ou Sméagol!) e com o Anel de Sauron. Eles jogam um jogo de adivinhações, muito interessante.

Algumas delas:



"Tem raízes misteriosas,
É mais alta que as frondosa
Sobe, sobe e também desce,
Mas não cresce nem decresce."


"Trinta cavalos na colina encarnada,
Primeiro cerceiam,
Depois pisoteiam,
Depois não fazem nada."


"Não se pode ver, não se pode sentir,
Não se pode cheirar, não se pode ouvir.
Está sob as colinas e além das estrelas,
Cavidades vazias - ele vai enchê-las.
De tudo vem antes e vem em seguida,
Do riso é a morte, é ofim da vida."


"Caixinha sem gonzos, tampa ou cadeado,
Lá dentro escondido um tesouro dourado."


"Essa é a coisa que tudo devora
Feras, aves, plantas, flora.
Aço e ferro são sua comida,
E a dura pedra por ele moída;
Aos reis abate, a cidade arruina,
E a alta montanha faz pequenina."



Já sabem as respostas?!
Em ordem:
montanha, dentes, escuro, ovo e tempo! ;)
______

"É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar."

15 julho 2006

E agora...




Bom... Vou encarar o Tolkien! Sim...
Comecei pelo "O Hobbit", agora à tarde!

Acho que foi incentivo virtual, do André!! ;)




- Bom dia! - disse Bilbo sinceramente. O sol brilhava, e a grama estava muito verde. Mas Gandalf lançou-lhe um olhar por baixo de suas longas e espessas sobrancelhas, que se projetavam da sombra da aba do chapéu.
- O que você quer dizer com isso? - perguntou ele. - Está me desejando um bom dia, ou quer dizer que o dia está bom não importa que eu queira ou não? Ou quer dizer que você se sente bem neste dia, ou que este é um dia para se estar bem?

Leituras...





Então é férias...
E isso serve pra quê!?
Tá bem, confesso que não estou lá aproveitando meu tempo pra estudar e ler coisas para o TCC, mas acho que é porque isso já anda me apavorando - de verdade.

Então tenho aproveitado para o que mais gosto no mundo: cinema, séries e... LIVROS, claro! Algumas coisas que ando lendo nesse período:


Dois Irmãos

Milton Hatoum



Memórias de Minha Putas Tristes
Gabriel Garcia Marquez




Mentiras no Divã

Irvin Yalom




Água Viva

Clarice Lispector



Dom Quijote de La Mancha

Miguel de Cervantes Saavedra







Então é isso... Sei que deveria falar sobre o que achei de cada um deles - isso é uma espécie de ritual, talvez... Mas, não gosto muito disso! Cada um tem seu estilo, cada livro e cada pessoa!
Então, digo apenas que TODOS eles valem à pena! Se é que se pode considerar as agradáveis horas de leitura como pena! ;)

Mas quero fazer menção especial ao Milton Hatoum! Foi o primeiro texto dele que eu li, apesar de já conhecer há mais tempo a sua carreira... Não é à toa que o cara é super premiado... Um gênio! O que mais me impressinou nele foi a capacidade de captar os regionalismos... Legal!

Já comprei as outras 2 obras dele, mas ainda não li: "Cinzas do Norte" e "Relatos de um Certo Oriente"... Curiosa!

01 maio 2006

descobertas




Descoberta, sem cobertas, sem encobrí-las... ;)


"E um dia os homens descobriram que esses discos voadores
estavam observando apenas a vida dos insetos..."

(Conto de Horror - Mario Quintana)


Leia: Na Volta da Esquina, de Mário Quintana.
Onde se encontram versos como "Conto de Horror" e "O Supremo Castigo"

28 abril 2006

Evangelho





"... Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez."

Terminei o Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago!
Fascinante! Marcam as passagens da morte de José, crucificado como um rebelde, "injustamente"; e, de mais a mais, a não ressurreição de Lázaro, a pedido de Maria Madalena (irmã do falecido e mulher de Jesus!) e a visão de Judas Iscariotes, como aquele que obedeceu ao Mestre. Além, é claro, da humanidade de Jesus, querendo se livrar da infâme trama criada por Deus para dominar o mundo! Sensacional...

Próximo passo:
A Cura de Schopenhauer, do Yalon.
Se for bom como "Quando N
ietzsche chorou", to bem! ;)